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Caso de estudo de Criação de Fontes: Joules

Andas sempre à procura por inspiração tipográfica, trago uma caligrafia barata orientada no Verão, convencido que os meus gatafunhos fariam letras mágicas.
Uma semana e dezenas de páginas depois, não tinham nada interessante ou vagamente artístico. Depois, uma noite, cansado e desesperado, e não tendo tinta preta, tapei com cartucho vermelho, e esbocei o alfabeto que brevemente se iria tornar a família Joules. Pensei que talvez fosse interessante para alguns de vós se eu documenta-se o processo de criação com este caso de estudo.

Aqui está uma das páginas que esbocei naquela noite:

Joules initial drawing

Um pormenor:

Joules initial drawing, closeup

Um super pormenor do A maiúsculo que eu usei:

Joules A closeup

Do esquiço à fonte

O processo que eu usei para criar a Joules a partir dos meus esboços é o mesmo que tracei nos meus artigos anteriores em criação de fontes. Fiz uma digitalização da página, e aqui está o resultado em Photoshop depois de mudar a digitalização para um bitmap preto/branco.

Joules A black-and-white

Nota como os pontos toscos aparecem na imagem bitmap:

Joules A rough spots

Joules A black-and-white rough spots

Geralmente limpo a imagem em bitmap antes de a importar para Fontlab, mas não neste caso. Aqui está o primeiro passo para importar o bitmap para Scanfont:

Initial pass in ScanFont

E um pormenor do Scanfont:

A in ScanFont

Copiei a nova forma e colei na abertura apropriada no Fontlab. Para te dar um gostinho da artimanha do Fontlab, aumentei o “A” tosco. Seleccionei um ponto problemático:

Closeup in FontLab

E comecei a artimanha apagando alguns nós ofensivos:

Closeup in FontLab

Uma das grandes coisas para balançar quando artimanhas formas em Fontlab é a tentação de amaciar todos os contornos versus a tentação de deixar muitos pontos toscos para manter a fonte interessante. Descobri da pior maneira que com fontes de escrita manual não deves amaciar todos os pontos toscos, assim que isso começa a roubar alguma da emoção da escrita manual.

Formas compostas em nosso auxilio

Uma das boas características que nos poupa tempo no Fontlab é a composição de caracteres automática. Neste caso, criei um “A”, e um “acento grave (`)”:

A plus Grave

E agora duplo-clic na célula de “A-Grave”…

A plus Grave double click

…e o Fontlab cria uma forma composta:

A plus Grave composite

A partir de agora, se editas o “A” ou o “acento grave (`)”, as alterações vão automaticamente reflectir-se no “A-Grave” composto.

Distâncias laterais (Sidebearings)

Como mencionado nos meus artigos anteriores em criação de fontes, formar boas distâncias laterais é um passo importante. (Por uma boa razão, boas distâncias laterais facilitam o kerning!) Inicialmente para as artimanhas das formas, geralmente crio distâncias laterais toscas, pequenas e positivas. As distâncias laterais do “y” inicialmente são algo assim:

y sidebearings

O problema com estas distâncias laterais pode ser ilustrado olhando par o kerning inicial do par “ay”:

a-y sidebearings with kerning

Posso deixar as distâncias laterais como estão e fazer o kerning do “y” próximo do “a” (e, depois, fazer o kerning do “y” próximo de qualquer outro caractere), mas é mais fácil (e saudável) criar distâncias laterais negativas para o lado esquerdo do “y”:

y negative sidebearings

Aqui está o kerning inicial com as distâncias laterais melhores:

a-y negative sidebearings with kerning

Kerning

As horas de diversão que eu tive com o kerning desta fonte! Vou te livrar dos detalhes chatos. Mas aqui está um exemplo de kerning a funcionar. Antes:

A V pre kerning

Depois:

A V post kerning

Ligaduras

Criei uma série de ligaduras para a Joules que se pode seleccionar manualmente e aplicar num projecto tipográfico:

Joules ligatures

E aqui está como criei uma. Primeiro, como o “z” e o “a” assentavam normalmente um a seguir ao outro:

z and a

Podia ter feito o kerning ao par para que eles ficassem sobrepostos numa moda esteticamente agradável, mas o mais responsável foi criar uma ligadura “z-a”. Passo 1, criar uma forma vazia, e copiar o “z” e o “a” nele:

z and a, pre-ligature

Passo 2, cortar os contornos para que eles se possam juntar no sítio apropriado:

z and a, pre-ligature ...

Passo 3, remover o excesso:

z and a, pre-ligature...

Passo 4, aproximar as formas:

z and a, pre-ligature...

Passo 5, conectar os pontos:

z and a ligature

Ligaduras inteligentes

Uma das coisas que não deu para o meu primeiro lançamento da Joules são as ligaduras inteligentes: tecnologia que eu recentemente aprendi como criar. (Quer dizer o fim das Truetype como as conhecemos, já que as ligaduras inteligentes requerem o uso da tecnologia das OpenType ). Vou te poupar dos detalhes, mas envolve abrir um painel especial Opentype no Fontlab, e basicamente fazer algum scripting para que as formas da ligadura que criaste ganharem vida num software ligadura-aware. É algo assim:

Ligature definitions

Etc

Aqui está o resultado, depois de todas as artimanhas e kerning:

Joules

E meti-me a fazer uma versão em itálico (era mais uma versão oblíqua, para os puristas que por aí andam), e depois uma bold, bold itálica, e black. Se alguém está interessado, eu posso detalhar como fiz este processo.

[Alec Julien é um web developer e um tipógrafo amador que vive em Vermont, USA. Sonha um dia viver num local quente, e escrever um novela.]

Translated by Miguel Batista.

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